Los Angeles Rams apostam tudo: Myles Garrett é a última peça do quebra-cabeças – Comentário

Os Los Angeles Rams contratam Myles Garrett, o melhor defesa da NFL, cedendo em troca Jared Verse e três escolhas no draft. Estão a apostar tudo para ganhar o Super Bowl no seu próprio estádio. Compreensível, embora caro. Um comentário.

É preciso deixar esta frase assentar por um momento. Um atual Defensive Player of the Year, que acabou de bater o recorde de sacks da liga, muda de equipa.

Para os Rams, esta troca é um golpe certeiro. Uma troca destas, contratar um jogador de geração no auge da carreira, até o Madden recusaria. Mas Los Angeles aproveitou a oportunidade. Porquê hesitar perante uma oportunidade destas?

A transação, mais uma vez em detalhe: os Cleveland Browns enviam Garrett para a Califórnia e, em troca, recebem o edge rusher Jared Verse, uma escolha de primeira ronda em 2027, uma escolha de segunda ronda em 2028 e uma escolha de terceira ronda em 2029.

Um preço que provavelmente outros 30 diretores-gerais da liga teriam aceitado imediatamente por um jogador excecional como Myles Garrett. O homem que joga numa liga à parte na sua posição.

Myles Garrett é um jogador excecional

Quantas vezes é que um dos melhores defensores da história da NFL esteve disponível? Aaron Donald — considerado o Tom Brady da defesa — nunca mudou de equipa. Também a lenda e pioneiro Lawrence Taylor nunca mudou de equipa.

Garrett tem 30 anos. Já não é o mais novo, sim. Mas vem de uma temporada em que estabeleceu um novo recorde da NFL com 23 sacks e recebeu o seu segundo prémio de Jogador Defensivo do Ano.

O que é notável não é apenas o topo, mas a constância. Nas últimas cinco temporadas, Garrett só falhou dois jogos, somando 83 sacks em 83 jogos. O seu pior resultado na classificação DPOY dos últimos quatro anos foi um quinto lugar. Segundo a «PFF», ele é repetidamente o melhor edge rusher da NFL.

Sinais de um declínio no desempenho? Nem por isso.

Também interessante: NFL – Cleveland Browns foram enganados na troca de Myles Garrett

Myles Garrett completa o quebra-cabeças tático

Para os Rams, Garrett deverá ser a peça do quebra-cabeças que lhes faltou no ano passado para chegar ao Super Bowl. Nos dois últimos confrontos com o campeão Seattle, os Rams sofreram 6,6 e 6,1 jardas por jogada.

Um dos jogos custou-lhes o primeiro lugar nos playoffs da NFC, o outro custou-lhes a temporada. Numa ocasião, a defesa contra o jogo terrestre falhou; noutra, a defesa contra o passe foi desmontada. Garrett aborda ambas as questões de forma direta: em 2025, teve a melhor taxa de pressão e o terceiro melhor valor contra o jogo terrestre da liga.

Por que o preço é justificável – e até inteligente

É claro que a saída de Jared Verse dói. O jogador de 25 anos foi o Defensive Rookie of the Year em 2024, um jogador incansável e poderoso com uma clara tendência ascendente. Os seus «apenas» doze sacks até agora não refletem o seu impacto real. O facto de os Rams terem tentado mantê-lo fora do negócio até ao fim mostra o quanto o valorizam. Mas se, em troca, se recebe Myles Garrett…?

O diretor-geral Les Snead deverá conseguir lidar bem com as três escolhas no draft – também porque tem feito excelentes escolhas ao longo dos anos. O seu lema, alvo de risos, «F*** Them Picks», funciona porque ele consegue tirar jogadores titulares das últimas rondas do draft: Puka Nacua e Kyren Williams nas quintas rondas, Kobie Turner e Byron Young nas terceiras rondas, por exemplo. Quentin Lake e Kam Curl foram garantidos pelo GM na sexta e sétima rondas, respetivamente.

E uma jogada aparentemente contraditória de repente faz sentido: em abril, os Rams escolheram o quarterback Ty Simpson com a 13.ª escolha. Um jogador que, por enquanto, não vai jogar atrás do atual MVP Matthew Stafford. Foi exatamente isso que deu a liberdade de não ter de reservar uma escolha da primeira ronda para o sucessor de Stafford nos próximos anos.

Snead parece ter preparado esta aposta de tudo ou nada há muito tempo.

Rams: Melhor arriscar do que perder logo

Essa é a essência de uma aposta tudo ou nada: só conhece o triunfo ou o arrependimento. Prefiro apostar tudo na missão pelo título do que desperdiçar talentos durante anos na insignificância e ser esquecido pela história. Pois quem não arrisca, na NFL, já perde antes mesmo de começar.

É exatamente para isso que existem janelas que se abrem apenas por pouco tempo. Os Rams têm o atual MVP, uma equipa pronta e uma final em casa à vista. Nesta situação, abrir mão de um jogador de geração teria sido a verdadeira negligência.

Snead e o treinador Sean McVay não arriscaram. Eles levaram a lógica da sua própria janela de título até ao fim.

Por isso, a troca de Garrett não é apenas corajosa. É a decisão certa.

All in para o Super Bowl em casa

Por trás disso está um objetivo claro: o Super Bowl LXI vai decorrer no SoFi Stadium – o estádio dos Rams. Já uma vez, no título da temporada de 2021, Los Angeles transformou a final no seu próprio estádio num jogo em casa, na altura após uma mega-transferência por Stafford.

Um modelo a seguir: a mesma determinação, o mesmo estádio.

Só que desta vez com Myles Garrett.

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